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Mostrando postagens de 2017
tem sido muito para explicar
além da minha capacidade de falar racionalmente
você pode me mostrar? eu vejo que há muito para aprender
mas eu sou tão simples quanto uma pequena flor de quaresmeira ao sol
e eu estou penca mas presa em minhas raízes neste asfalto quente
você não vai me ajudar? eu estou esperando pacientementeeu abriria meus olhos se você me pedisse para enxergar através da neblina
eu abriria meus olhos se eu pudesse acreditar que isso faria algum bemeu posso contar nos meus dedos os erros cometidos
mas eu pensei que não era sobre isso o amor que não seria sobre isso"a cidade está deserta,
e alguém escreveu o teu nome em toda a parte:
nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas"eu ainda me lembro de quando as coisas eram mais fáceis mas
certo quanto as ondas que quebram em meu quadril tenho deixado o passado para trás
eu sou uma estrada mas não cobro pedágios eu sou uma consequência sem causa eu sei
mas eu ainda estou lutando aqui deste lado do elo fraco da corr…
a maciez vai murchar da terra das tuas mãos vão nascer ervas daninhas de cortes e roxos por tua mania de torcer os dedos tão constantemente que acaba ferindo-os apertar tudo tão forte e isso corta as flores das tuas palmas
o toque cuidadoso quente agora é incerto tuas juntas estão sempre frias como a neve de dezembro e você não é capaz de segurar nada com a delicadeza necessária porque as tuas mãos são feito Judas traindo teu amor puro pelos teus tremores por trinta moedas de prataa tua voz antes suave ritmada muito pacientemente falha ela entala ao redor do nó na tua garganta ela estica os braços pra fora da confusão no final da tua língua mas não há nenhum resgate ela permanece a deriva no mar das tuas sílabas
os teus dentes partilham batalhas diárias entre os teus lábios e ambos os lados terminam exaustos quando o sol se põe manchados de sangue mutilados e a guerra continua amanhãvocê vai se deitar a noite numa cama repleta de pequenos pregos com a própria personificação do mal ali…
você tem sido tocada por mãos cruéis por tanto tempo tantas vezes
tua pele cor de oliva tem sido manchada de tons desgostosos de roxo e verde
e nenhuma dessas marcas foi feita pra arrancar suspiros e isso é uma lástima
eles não arrepiaram teus poros com ânsia dos teus detalhes como eueu não quero que você se esconda que não me mostre esse teu lado
porque eu quero esses teus olhos cor de terra molhada tão lascivos percorrendo toda a extenção das minhas curvas
a forma como eles te tomaram foi tão fria e sem amor
mas no meu abraço não existe nada além de calor e doçura e sede de vocêcalmamente vagarosamente dolorosamente de modo diabólico
você vai sussurrar em meus ouvidos como quer sentir-se pura por toda tua luxúria?
eu quero abraçar teus demônios como se eles fossem lindas donzelas gregas cobertas de tecidos finos
eu quero reconciliar a violência da tua mente machucada com as minhas mãos quentesvocê grita comigo e me diz com tanta raiva e desolação
quão errada você é e que todas as ci…
existem muitas músicas e muitas poesias que falam sobre o peso do mundo
e como ele recai sobre os nossos ombros
e curva nossa coluna esmaga nossos pulmões aperta nossos medos contra os nossos ossos
eu vou ser mais uma agora falando sobre o peso do mundoabri a porta e sai pra noite enquanto os pecados de são paulo inteira caíam no meu telhado em forma d'água
em algum outro lugar dessa cidade eu sou uma pintura de óleo sobre tela de algum ator desconhecido
sozinha no meio da chuva com os pés descalços um cigarro queimando entre os dedos suéter cor de rosa puído olhos de nanquim refletindo a luz de um único poste falho da ruaem algum lugar de alguma noite passada eu estou me olhando no espelho limpando o batom marsala borrado dos lábios
memórias de mãos pelos meus cabelos memórias de vozes sussurradas em meus ouvidoseu tenho uma lista sobre as coisas que eu gostaria de questionar a quem quer que controle esse jogo
mas existe algumas enroscadas no meu travesseiro há meses
você acha qu…
olha, eu sei
sei que não venho sendo eu mesma ultimamente
ou talvez eu venha sendo porque afinal de contas eu me perdi nessa noção
de quem eu sou de quem eu era e tantas esperanças sobre quem quero ser

mas eu...
sinto como se estivesse sendo outro alguém ultimamente
recolhendo conchas esquecidas pela beira da areia porque você sabe
que eu tenho eu sempre tive essa atração terrível por coisas quebradas

e, provavelmente
eu verdadeiramente não tenho sentido muito ultimamente
eu disse em orações pra alguém em quem não acredito na piedade
que me julgasse pelos meus pecados e me ensinasse algo

então, no final de tudo
eu já escrevi mais do que poderia me lembrar sobre perder o rumo
sobre precisar de um sinal mas a realidade é que eu precisava de espaço
precisava de cuidado precisava de tempo precisava de um perdão que nunca veio

e olha, sinceramente
tentar proteger você nunca ajudou porque eu nunca pude escolher
entre te amar e amar a mim mesma já que as duas coisas nunca coexistiram
eu tras…
não me deixe não me deixe não me deixe
eu a ouço cantando e as palavras são espadas que ultrapassam meus escudos me furam e eu permaneço morta e fria em batalha esperando que as Valquírias venham me buscar pra descansar em Valhala
é preciso esquecer tudo que pode ser esquecido ela me diz num francês tão triste soa como um entardecer a sós soa como o som da chuva que me lembra a última vez que a tua alma ainda não me era estranha
minhas mãos teus ossos tua pupila ingrata me rouba de alguma forma você me queima nesse fogo vão você me quebra só pra depois me juntar como quer você me abandona só pelo prazer insano de assistir o estrago que causa
como posso te dar mais quando te espero um pouco menos que antes? que já te dei que não sabia que tinha? se tudo que era eu agora é nós e somos nada nada nada
quero fazer morada no teu peito ser o que você é viver onde você está dormir onde você se deita fumar do teu cigarro ser teu copo de cerveja largado quero ser necessária por favor eu quero f…

23h09

Meu lírio,Eu gostaria que você segurasse minha mão. Só segurasse minha mão. Pra que eu sentisse que ainda existe algo fixo nesse universo. Pra me sentir real, e menos como um pesadelo. Que seu calor fluísse pelos meus dedos. Eu gostaria, do fundo do coração, de apenas segurar sua mão.As vezes quando o dia fica muito difícil eu imagino que você está logo atrás de mim, me sussurrando ao pé do ouvido pra ir em frente. "Continua em frente, anjo, continua. Vai ficar tudo bem."É esse pensamento que as vezes me segura quando eu estou na borda. O fantasma da sua presença, que me dá força quando eu penso que já não tenho nenhuma.Eu só quero... paz. Conseguir me olhar no espelho sem detestar o que vejo. Estar na minha própria pele e não sentir como se isso fosse uma tortura. Existir tem sido uma tortura, estrela. Eu estrago tudo que toco. Todas as coisas bonitas. Eu sou como uma praga numa plantação de rosas. Eu amo a beleza delas mas eu murcho todas.Eu queria não estragar as coisas. …

06h02

Estrela,Me peguei pensando no sentido da vida hoje. Sobre o que nós, seres humanos, buscamos pra nós mesmos.Sobre como buscamos ser felizes. Nós sofremos muito em busca da felicidade, já percebeu? Nós sofremos por relacionamentos, empregos, estudos, dinheiro. Tudo porque achamos que no final desse jornada, seremos felizes.E se a felicidade não existir? Se for algo inventado muitos anos atrás pelos nossos ancestrais e esse sentimento não realmente existir?E se tudo pelo que nós lutamos e nos tira a paz não trazer paz nenhuma, afinal? Pode, a felicidade, ser um estado?Como a encontramos? Como permanecemos nela? Como nos seguramos com mãos frágeis demais dentro das suas paredes de pedra quando o mundo sacode lá fora?Essas perguntas são retóricas. Eu não tenho resposta pra elas. Creio que tampouco você tem.Eu só queria dizer todas elas. Além da minha cabeça. Pra alguém que as ouviria e entenderia essa perturbação entre meus fios delicados. Pra alguém que se importasse. Pra você.Eu desisti…
acordei essa manhã
com gosto de saudade mal dormida na boca
e o cabelo emaranhado de erros
me perguntando
questionando
como começamos isso
raio de sol?
como perdemos o rumo e
como desistimos assim e
como tornamos nosso belo
essas reticências?

eu perdi uma batalha contra mim
você perdeu uma batalha contra si
mas isso não é uma guerra
não vamos tornar isso uma guerra
raio de sol

e eu sei que
haverá vezes em que nós brigaremos
haverá lágrimas que choraremos
haverá muros que ergueremos
mas somos só eu e você e nossos corações
você não vê?

me mostre tuas cicatrizes
e eu beijarei todas
me conte dos teus pesadelos
e eu consolarei tua mente
eu mostrarei as minhas
eu contarei dos meus
mesmo que sejam coisas cruéis demais
para algo assim tão gentil

me diz
você vai saber quando me abraçar
sem que eu peça?
e não me deixar sozinha quando eu
não deixá-lo entrar?
e todas as vezes que eu sentir raiva e medo
você vai saber como me enfrentar
e me juntar novamente?

e mesmo quando eu preciso de espaço
me…
o amor não é uma armavocê não pode encostar teu amor afiado na pele delicada da minha garganta e me dizer pra te obedecer ou teu amor me cortaráa forma como você usa palavras duras contra meus ouvidos e me diz que é pro meu melhor e que tudo isso é por bem querere como você tira minha força e me torna frágil pequena diminutiva em meus sonhos e tira de mim minha fé em mim mesmateu amor queima como ácido e tem algo errado nissoteu grito penetra na minha mente tão calma e gera uma perturbação imensa é como um tsunami numa cidade cheia de jardinsa marca dos teus dedos pelos meus braços e a marca da tua falta de tato nas minhas memórias são como sal nestes raladoso jeito como você ama dói e eu me pergunto se mereço (eu mereço?) e eu perco o sono a fome a esperançaesses passos são meus dos meus pés e você não pode trilhar nenhum deles por mimesse riso é meu e essa voz é minha e esses detalhes são eu e com todos esses erros ainda sou eu você não vêtua vontade não pode me moldar dentro desse …
Solitude.Almoço de domingo. Minha família está reunida em volta da mesa, comendo macarrão com queijo. Minha mãe toma um gole de suco de laranja. Ela me pergunta como foi minha semana. Digo que foi corrido, como sempre. Meu pai enrola macarrão no garfo; ele me pergunta se as coisas vão bem na faculdade. Eu aceno que sim. Meu sobrinho pequeno passa macarrão no meu cabelo. Eu sorrio torto pra direita, passando os dedos no seu nariz pequenininho.Solitude.Cerveja com meus amigos. Observo as bolhas explodindo lentamente no meu copo. Observo seus rostos com carinho, grata pelo tom das suas vozes e como acalenta meu coração ouvi-los falar sobre bobagens do seu dia a dia. Meus dedos estão frios.
Eu tomo uma xícara e meia de café pela manhã. Seguro minhas pedras dentro da mão direta e sinto sua temperatura fresca. Medito. Eu olho meu corpo no espelho e encontro mais um defeito pra coleção. Olho pro chão por 10 minutos. Desisto de tentar domar meu cabelo. Eu cozinho. Me deito no chão com o meu c…
é só um buraco de minhoca que a teoria da relatividade geral não compreende a passagem do tempo ou os movimentos do corpo (o meu) em queda livre e a total falta de propagação de luz nesse breu infinitoo vazio preenche tudoa ausência não possui massa mas o peso é equivalente à toneladas o barulho perturba mas a ausência do mesmo acumulaeu nunca ouvi silêncio mais gritantepalmas costumam ser um sinal localizador em caso de perdas para que o indivíduo possa voltar para onde se pertence permaneço encolhida sem o som de mãos se chocando para me guiar ao caminhodesde que abri meu olhos não consigo mais fechá-losnão percebi o milésimo de segundo em que tropecei na perda e me enredei nessa confusão de novelos de lã em nós mas é tudo que meus dedos tocam agoraé preciso esquecer tudo que pode ser esquecidono meio desse sistema solar tão denso eu sou vênus giro ao contrário pelos fragmentos que se colidem em mim e eu estou fadada a essa órbita sem músicaquando as estrelas brilham atrás dos meus …
Ana.Ouço o sussurro próximo e distante ao mesmo tempo. Levanto meu corpo da grama molhada e fria; tem terra em baixo das minha unhas.
Ainda desnorteada, eu levanto o rosto para o céu e recebo pequenas gotas geladas em troca. Está frio, e chovendo. E eu estou perdida, mais uma vez. Ana.Meu corpo treme em reação à voz; não sei de onde ela vem, mas preciso segui-la. Eu me levando e sigo descalça, o vestido branco manchado de marrom, e desço uma colina íngreme. Lá no fim, bem no fim, existe um lago de água cristalina e vegetação fechada. Tem uma mulher sentada ali, numa pedra, de costas para mim. Me precipito à frente e estou prestes a tocá-la quando ela inclina o rosto para o lado. Eu estaco. De cabelo mais comprido e com uma sabedoria nunca sentida por mim desenhada em todo seu maxilar, eu me olho nos olhos. Eu chamei por mim, e eu vim me encontrar. Dando alguns passos cautelosos para trás, observo a mim mesma: meus pés, também descalços, meu vestido, ainda branco e imaculado, meu rosto…
Eu descobri o que era o amor com os pássaros.
Sempre que olho pro céu e pras árvores e pros fios de eletricidade da cidade de concreto eu vislumbro a liberdade. Eles, os pacientes semeadores da alvorada, planando numa paz santa e aparentemente intocável por entre as nuvens.
Eu sempre vi beleza descomunal na liberdade. Eu sempre vi beleza intensa no amor. Mas eu nunca soube ser os dois.
Desde a primeira vez que ouvi que amar era libertar eu busquei por isso. Eu busquei essa paz; sondei todas as esquinas da cidade chamando o amor pelo nome. Você sabe quão triste é procurar por um rosto que você nunca conheceu? Quão frustrante é desejar um amor que você nunca experimentou?
Associei o amor à tantas metáforas durante toda a vida. Das que eu me lembro agora:
1. A cair; nas profundezas de um oceano desconhecido, de um penhasco diretamente para as pedras, num buraco negro sem esperança de ver a luz do dia outra vez.
2. A rasgar; rasgar-se de si e partir-se em dois para dar parte de si ao out…