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foram as vezes que eu segurei tua mão não tão despropositalmente quanto fiz parecer entre as garrafas de cerveja e os risos de quintas-feiras gastas
6 9 12 ou mais talvez
as vezes em que você escolheu um cacho solitário meu pra enrolar nos dedos distraidamente às dez horas de segundas-feiras soltas
aposto que 20 ou 22 ou 27
que a pronúncia do meu nome na tua boca pareceu singela especial meio cantada algo fora do normal amigos-e-nada-mais-que-isso
50 70 100 cento e tantos
os olhares furtivos trocados entre piadas sem graça sobre o meu gosto musical e o seu gosto pra camisetas e o meu muito-visível-gosto pelos teus cabelos roçando nos ombros
122 177 188 200 eu diria
dos momentos em que tua voz penetrou pelos meus poros e o teu hálito acariciou o pé da minha orelha e você me disse que eu era confusa e eu te disse que você não é nada do que eu creio que posso entender
nesse ponto eu perdi as contas porque eu sou tão ruim de matemática e eu sou tão ruim em cair de amores e eu fui tão ruim em não me ver torcida pelo teu sorriso torto nas terças-feiras quando a gente come churros juntos
nessas contas eu perdi a mão de quantas vezes eu quis encostar minha bochecha na tua barba por fazer e quis beijar as linhas de expressão preocupadas pela tua testa e quis te dizer que você tá errado
errado quando diz que ninguém te vê errado quando acha que eu não reparo no teu medo de barulhos altos errado em achar que ninguém vê você como uma flor molhada pelo orvalho numa manhã de sábado de primavera
lindo sutil delicado feroz e tão intocável pelos meus modos desajeitados
eu não venho contando as vezes tão erradamente quanto deveria pra te escrever qualquer texto que nunca vou te contar sobre
mas eu tenho enxergado você como um copo d'água no deserto onde eu peregrino só
meu doce menino
eu não sei como terminar estas palavras emboladas mas tampouco sei
o que fazer com o que você faz de mim
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