a maciez vai murchar da terra das tuas mãos vão nascer ervas daninhas de cortes e roxos por tua mania de torcer os dedos tão constantemente que acaba ferindo-os apertar tudo tão forte e isso corta as flores das tuas palmas
o toque cuidadoso quente agora é incerto tuas juntas estão sempre frias como a neve de dezembro e você não é capaz de segurar nada com a delicadeza necessária porque as tuas mãos são feito Judas traindo teu amor puro pelos teus tremores por trinta moedas de prata

a tua voz antes suave ritmada muito pacientemente falha ela entala ao redor do nó na tua garganta ela estica os braços pra fora da confusão no final da tua língua mas não há nenhum resgate ela permanece a deriva no mar das tuas sílabas
os teus dentes partilham batalhas diárias entre os teus lábios e ambos os lados terminam exaustos quando o sol se põe manchados de sangue mutilados e a guerra continua amanhã

você vai se deitar a noite numa cama repleta de pequenos pregos com a própria personificação do mal alisando os lençóis vinho enrolando os cachos castanhos nos dedos e sorrindo perversamente da tua impotência
você vai cair no sono com a respiração dela ligada ao ponto atrás da tua orelha esquerda a mão dela encaixada na curva do teu quadril
vai navegar por pesadelos terríveis como aquela vez em que te seguraram pela nuca e teu rosto encontrou a parede áspera mas ainda sim menos áspera que as marcas na tua mente depois que acabou
vai acordar com as lembranças deitadas no teu peito e encontrar ela ali costurada nas tuas ações observando teu desespero com olhos de nanquim completamente desvairados

as palavras ensaiadas pra contar do som caótico do riso dela estarão trancadas a pelo menos vinte e duas chaves no fundo do teu medo e a chuva vai molhar teu rosto e cair sem ruído no teu colo mas você ainda estará sedenta
o som do teu timbre repetindo mil vezes pra aguentar mais um pouco mais um pouco só mais um pouco vai ser como a canção de ninar de Ofélia
não existirá lugar de descanso pros teus ossos e Ícaro ainda vai despencar das nuvens todos os dias porque você tem queimado as tuas asas de maneira tão cruel, anjo

ideias compulsórias de conspiração contra a tua amante cravarão farpas por baixo das tuas unhas e uma coceira doce com vontade de morte vai se instalar entre as tuas costelas
a liberdade vai parecer tão tentadora como a própria cobra e ambas sabemos dos teus vícios ao pecado da carne você quer morder e experimentar do suco da falta de privação
não existe conforto dentro da tua pele e teus ossos se transformarão em pó como os de Rasputin quando o rugido composto de sombras e licor se espalhar pelas tuas veias
tão apaixonados como Os Amantes você e a destruição se tornaram e o perigo pronunciará teu nome calmamente enquanto você flerta com o descompasso

entrelaçados no abraço dos condenados queimarão até que as chamas cantem e cantem e cantem
o céu não existe o inferno somos nós

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