monachopsis é som que um sentimento não antes explicado faz ao ser pronunciado: a sensação sutil mas persistente de estar fora de lugar mal adaptado aos seus arredores como uma foca em uma praia pesada desajeitada facilmente distraída amontoada na companhia de outros desajustados incapaz de reconhecer o rugido ambiental do seu habitat pretendido é a sensação de que você seria fluído brilhantemente natural sem esforço nenhum em algum lugar que você pudesse chamar de casa

o conceito de que casa é onde seu coração pertence e não só se encaixa porque você sabe e eu sei que ultimamente temos nos encaixado em mofo puro onde se pode respirar quando se está só onde você vai para descansar seus ossos e casa não é uma porta que se abre mas sim as gotas de uma chuva fria de domingo entre as árvores casa não é aquilo aquele lugar aquela coisa onde você era criança e cresceu mas onde você era adulto e chorou encolhido no canto entre duas paredes (o canto próximo da janela e distante dos pesadelos pendendo das beiradas da cama) e casa tão pouco é onde você joga a mochila no sofá quando chega do trabalho e onde tira os sapatos mas casa é o que você gostaria de pisar com os pés descalços

a sensação de não pertencer que é a única coisa que tem me pertencido já faz um tempo e eu não sei talvez essa roupa esteja apertada demais ou esse ritmo talvez não seja o mais apropriado e quem sabe eu não esteja fadada a sempre observar nunca experimentar e a saudade de coisas que eu nunca vivi seja um efeito colateral do desajuste da forma que eu não caibo na tua projeção onde eu me esfolo para adentrar para achar que tenho um ponto fixo quando eu tremulo ao vento

temos nos questionados sobre o sentido de liquidez sobre o amor ser líquido mas então o é a presença e não estou aqui quando estou o ruído não silencia meus pés não se acalmam e meu peito pesa continuo procurando o norte no escuro no meio dessa multidão estranha enrolada em paralelos paradoxais porque a paz se encontra na calma mas a paz só me encontra no meio do mais completo caos e então se eu não souber pertencer e se fazer parte é sobre ser algo que não sei ser e se minha casa ainda não existe porque permaneço inconstante as minhas digitais não tem par minha voz é um eco antigo de uma poesia triste demais para ser lida a solidão me abraça a noite e ela tem braços quentes amigáveis gentis nada do que eu possa fugir nada do que eu possa deixar de ser e por que por que por que

terrível terrível e terrível para sempre
amém

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