é só um buraco de minhoca que a teoria da relatividade geral não compreende a passagem do tempo ou os movimentos do corpo (o meu) em queda livre e a total falta de propagação de luz nesse breu infinito

o vazio preenche tudo

a ausência não possui massa mas o peso é equivalente à toneladas o barulho perturba mas a ausência do mesmo acumula

eu nunca ouvi silêncio mais gritante

palmas costumam ser um sinal localizador em caso de perdas para que o indivíduo possa voltar para onde se pertence permaneço encolhida sem o som de mãos se chocando para me guiar ao caminho

desde que abri meu olhos não consigo mais fechá-los

não percebi o milésimo de segundo em que tropecei na perda e me enredei nessa confusão de novelos de lã em nós mas é tudo que meus dedos tocam agora

é preciso esquecer tudo que pode ser esquecido

no meio desse sistema solar tão denso eu sou vênus giro ao contrário pelos fragmentos que se colidem em mim e eu estou fadada a essa órbita sem música

quando as estrelas brilham atrás dos meus olhos você me canta uma canção que eu vou esquecer eu sempre esqueço

essas memórias agridem minha mente

concluo que isso deveria doer mas permaneço boiando num mar salgado demais para o meu paladar mas continuo bebendo dessa água e eu me lembro de quando sufocava e a falta de ânsia de respirar afunda

não existe pânico não alcanço o desespero ou a fome e não é isso que nos sustenta então como permaneço firme

eu serei boa por todas as coisas inocentes que eu quebrei serei boa por todas as vezes que não posso ser

estive ignorando esse caroço na garganta essa perturbação entre meus fios delicados e me dizem que eu deveria me submeter mas meus joelhos não cedem

eu estou mais forte agora mas existe um ruído agudo nessa frequência que continua sussurrando meu nome e não me deixa dormir a noite minha mente continua computando dados e meu corpo permanece na defensiva quando eu já perdi essa luta faz tempo

banhada em resistência provo o gosto desse sangue e ele é a glória

através destes olhos sempre tão melancólicos seca como um osso tensa como uma bomba eu só quero gritar porque essa calma arranha essa paz não conforta preciso de caos

não há um peito pra deitar porque nunca me importo o suficiente pra ficar medesculpadesculpasintotanto

a velocidade da luz quebra a barreira do som mas não quebra minha pele

jovem demais pra ter tantos fantasmas
velha demais pra saber usar suas asas

eu sinto isso chegando e o fogo vai curar mais uma vez.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog